Como a Reforma Tributária exige mais integração, automação e governança de dados nas empresas
A Reforma Tributária do consumo avança para uma etapa decisiva de modernização tecnológica do sistema fiscal brasileiro. Mais do que substituir tributos como PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI por CBS e IBS, o novo modelo traz uma mudança estrutural na forma de apuração: a apuração assistida, prevista na Lei Complementar nº 214/2025.
Na prática, o Fisco passa a utilizar os dados dos documentos fiscais eletrônicos e das escriturações digitais para gerar uma proposta de apuração pré-preenchida ao contribuinte, reduzindo retrabalho manual e ampliando a consistência das informações.
Esse novo cenário impacta diretamente a integração entre ERP e soluções fiscais, exigindo maior automação, qualidade de dados e arquitetura tecnológica preparada — especialmente em ambientes corporativos complexos como SAP, Oracle e Infor, onde a Solução Fiscal Synchro tem papel central.
O que é a apuração assistida do IBS e da CBS
A apuração assistida, conforme estabelecido na LC 214/2025, é um modelo em que:
- o Fisco consolida informações transmitidas eletronicamente (NF-e, CT-e, NFS-e, entre outros);
- o sistema governamental calcula débitos e créditos;
- é disponibilizada ao contribuinte uma proposta de apuração;
- a empresa pode validar, complementar ou ajustar os valores antes da confirmação.
Ou seja, a responsabilidade continua sendo do contribuinte, mas com apoio de uma apuração pré-elaborada com base nos dados digitais já enviados.
Esse formato aproxima o Brasil de práticas internacionais de declarações pré-preenchidas e compliance assistido, elevando o nível de digitalização da relação fisco-contribuinte.
Importante: qual é o estágio atual (2026)
É fundamental destacar o momento regulatório correto:
- 2026 é ano de testes e adaptação sistêmica;
- há projetos-piloto e ambientes de validação tecnológica conduzidos pelo Comitê Gestor do IBS;
- os destaques de IBS e CBS nos documentos fiscais têm caráter informativo/simulador;
- não há cobrança efetiva dos novos tributos nesse período.
A cobrança financeira começa apenas nas fases seguintes do cronograma de transição.
Portanto, o foco atual das empresas deve ser preparação tecnológica e ajuste de processos, não recolhimento.
A nova infraestrutura digital do Fisco
Para viabilizar esse modelo, a Receita Federal e os entes subnacionais estão estruturando uma plataforma digital integrada, com recursos como:
- consolidação de informações fiscais em ambiente único;
- cálculo automatizado dos tributos do novo IVA dual;
- declarações pré-preenchidas;
- serviços digitais de acompanhamento de débitos e créditos;
- APIs e integrações sistêmicas.
Esse desenho reforça um movimento claro: a apuração passa a ser cada vez mais baseada em dados estruturados transmitidos pelos sistemas corporativos.
Consequentemente, o ERP deixa de ser apenas um sistema de registro e passa a ser fonte primária de informação tributária oficial.
O que muda na integração entre ERP e solução fiscal
Para grandes empresas, o impacto é principalmente tecnológico e operacional.
1. Dados fiscais passam a ter papel crítico
Informações como:
- classificação fiscal,
- CST,
- CFOP,
- regras de crédito,
- parametrizações de incidência
precisam estar corretas na origem.
Erros deixam de ser apenas internos e passam a impactar diretamente a proposta de apuração do Fisco.
2. Mais automação e menos processos manuais
O modelo favorece:
- validações automáticas;
- conciliações sistêmicas;
- apurações baseadas em eventos;
- redução de planilhas paralelas.
Empresas com processos manuais tendem a sofrer mais na transição.
3. Integração contínua entre ERP e solução fiscal
A comunicação entre:
ERP ↔ Solução Fiscal ↔ Documentos eletrônicos ↔ Ambiente governamental
precisa ser estável, auditável e atualizada.
Soluções especializadas, como a Solução Fiscal Synchro, tornam-se estratégicas para:
- garantir conformidade de layouts;
- acompanhar mudanças regulatórias;
- automatizar cálculos;
- manter trilhas de auditoria.
4. Governança e compliance em tempo quase real
Com dados digitais consolidados, o Fisco tende a operar com:
- maior rastreabilidade,
- cruzamentos automáticos,
- identificação antecipada de inconsistências.
Isso exige monitoramento contínuo, e não apenas revisão no fechamento mensal.
Benefícios para empresas preparadas
Apesar da complexidade inicial, o modelo traz ganhos relevantes:
- menor risco de autuações por erro operacional;
- redução de retrabalho de apuração;
- padronização de processos;
- maior previsibilidade tributária;
- visão integrada do compliance fiscal.
Empresas que se antecipam conseguem transformar a exigência regulatória em vantagem operacional.
Como a GESIF apoia essa transição
A adequação ao novo modelo não é apenas técnica — é estratégica.
Projetos bem-sucedidos envolvem:
- revisão de processos fiscais;
- saneamento de cadastros;
- parametrização do ERP;
- atualização da Solução Fiscal Synchro;
- testes integrados;
- governança contínua.
A GESIF, como consultoria especializada em implantação, suporte e evolução da Solução Fiscal Synchro, atua justamente nessa interseção entre tecnologia, legislação e operação fiscal, apoiando grandes empresas na construção de um ambiente preparado para a Reforma Tributária.
Conclusão
A apuração assistida do IBS e da CBS inaugura um novo padrão de conformidade fiscal no Brasil, baseado em dados digitais, integração sistêmica e automação.
Mais do que uma obrigação regulatória, trata-se de uma mudança estrutural na forma como ERPs e soluções fiscais sustentam o compliance das empresas.
A pergunta não é se sua empresa precisará se adaptar —
é quão preparada sua arquitetura fiscal está para operar nesse novo modelo digital.



